A importância da criação para preservação da espécie

A criação doméstica surge como um recurso simples e viável para não deixar perder esse patrimônio genético.


17/01/2016 - Alterada em: 17/01/2016  



Bicudos e curiós são aves de origem silvestre, existentes na América. No Brasil, houve a dizimação dessas espécies em habitat natural, à exceção da Amazônia, onde ainda há curiós em abundância.  São muito dependentes das condições naturais de seu habitat, notadamente o bicudo, da existência de água despoluída, de capim navalha (tiririca), de veredas (pindaívas), de grandes alagados e de toda uma vegetação adequada. Isso tudo é o mínimo necessário ao processo de vida natural desses pássaros.

Por isso, esses bichos nunca foram encontrados por aí, como outras aves que se adaptam com facilidade em qualquer ambiente, mesmo degradado ou modificado, a exemplo do sabiá, canário-da-terra, coleiro, dentre outros. 

Os curiós e os bicudos sempre foram pássaros muito cobiçados, por causa de seus vários predicados: fácil adaptação aos ambientes domésticos, muita valentia, disposição para cantar, grandes diferenças individuais, capacidade de repetir e de aprender o melhor e mais bonito canto. Tudo isso os transformou em aves economicamente muito valorizadas.

A caça predatória e a destruição do habitat natural são dois fatores primordiais que atuam de maneira progressiva e irreversível na diminuição da população desses espécimes. Esses fatores sinalizam a real possibilidade de extinção, pois, em liberdade, já não são muito frequentes. A única solução encontrada, hoje em dia, para desacelerar esse processo, foi a criação racional em cativeiro. Especialmente, daquelas espécies de aves que, de alguma maneira, despertam interesse, seja pelo canto, porte ou valentia, como é o caso de curiós e bicudos.

Até a década de 1970, existiam vastas populações em quase todo o território brasileiro, os exemplares mantidos pelos aficionados eram capturados na natureza e ninguém se importava com isso. A partir daquela época, iniciou-se uma crescente conscientização dos amantes desses pássaros para o perigo de extinção. Além do mais, naquele momento, começava a vigorar a Lei 5.197, que tratava da Proteção à Fauna. O impacto estava criado, novo pensamento, novas formas de encarar essa realidade, a situação era gravíssima, não havia saída. Iniciaram-se de forma lenta os trabalhos de reprodução doméstica que, aos poucos, a partir da década de 1980, tomaram impulso para, nos anos 90, alastrar-se para todo o Brasil, e de forma crescente. 

Hoje, pode-se dizer que há milhares de criadores que reproduzem o bicudo e o curió de forma a livrá-los da extinção. Separa-se a criação de cunho amadorista, que é controlada pelo IBAMA, por meio do SISPASS, e a outra, a atividade comercial, que produz os pássaros em larga escala para atender a toda a demanda. O que muito ajuda é a longevidade dos pássaros que podem reproduzir por até a idade de trinta anos, especialmente, os machos. As fêmeas de até 20 anos também produzem ou podem tratar de filhotes.

A criação doméstica surge como um recurso simples e viável para não deixar perder esse patrimônio genético.

Em suma, a criação doméstica surge como um recurso simples e viável que os ornitófilos e interessados em geral têm à mão para não deixar perder esse patrimônio genético, e também contribuir com possíveis projetos de repovoamento em áreas indicadas.  

 

Fonte: CPT.com.br

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